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Quais as madeiras mais comuns na produção de móveis?

Ainda hoje, a madeira é a matéria prima mais utilizada na produção de móveis. Seja ela aplicada em pranchas inteiras, com a união de pequenas tábuas ou mesmo lascas e partículas prensadas, as qualidades de durabilidade e resistência combinado ao valor atraente formam uma ótima relação custo benefício. Normalmente outros móveis produzidos em metal, vidro ou polímero podem pesar em um ou outro ponto - sendo ou muito caros ou com uma resistência menor -  e por isso seus usos são mais específicos.

Já a madeira é muito versátil e une o melhor dos mundos. Porém, mesmo em se tratando dessa matéria prima, há muitas variedades de madeira, formas de aplicação e processos de produção. Hoje vamos falar das mais comuns aplicadas em móveis sendos elas: madeira de demolição (ou de lei); madeira de reflorestamento; e madeira industrial (MDF e MDP).

Madeira de Demolição ou de Lei

As madeiras de demolição ou de lei são também conhecidas como madeiras nobres. São um extenso grupo de madeiras extraídas de árvores com um ciclo de vida muito longo. Essas espécies tendem a crescer muito, por muitos anos e produzem uma madeira de altíssima densidade. Por essa característica, são também muito resistentes tanto a forças mecânicas (difíceis de quebrar), a pragas como cupins (que preferem se alimentar de madeiras mais "moles" e à umidade (que penetra mais facilmente quanto mais poroso o material).

Essas madeiras são materiais impressionantes e já na época colonial brasileira, a Coroa portuguesa criou uma lista de árvores de madeira nobre que só poderiam ser exploradas mediante permissão em lei (por isso o nome madeira de lei). Como muitas árvores que produzem madeiras de alta qualidade crescem de forma lenta e sua extração irrefreada poderia causar sua extinção, outras espécies foram entrando para a lista de restrição de exploração.

Atualmente, a maior parte das madeiras de lei são provindas de estruturas antigas como casas e móveis que foram produzidos antes da proibição legal. Ao realizar a demolição de uma casa construída em madeira nobre, as melhores peças podem ser reutilizadas para a produção de móveis novos. Como essas madeiras possuem altíssima durabilidade, um bom trabalho de marcenaria e acabamento transformam essas peças brutas em lindas obras de arte!

  

Com suas escassez e qualidades mais que desejáveis, é de se esperar que a procura por móveis com esse material seja grande e o seu valor, consequentemente, aumente com isso. Porém, para quem pensa no longo prazo, móveis em madeira de demolição são uma ótima escolha. Sua durabilidade garante que o item permaneça praticamente intácto por décadas, ou até gerações! Diluído ao longo de tantos anos, o valor inicial maior se paga com facilidade.

Alguns exemplos mais comuns de madeira de demolição que trabalhamos aqui na Reuzze são: canela, peroba, cedro e imbúia.

Madeira de Reflorestamento

A madeira de reflorestamento é oriunda de um cultivo de árvores para fins comerciais, seja para produção de móveis, projetos de engenharia ou papel e celulose. No Brasil, as espécies mais comuns são o pinus e o eucalipto. São espécies perfeitas para atender a demanda do mercado visto que possuem um crescimento rápido, capacidade de adaptação às diferentes regiões e um ótimo rendimento do espaço.

São usadas em móveis para obter a aparência natural da madeira ao passo que são uma opção bem mais em conta que as madeiras nobres. Quando usadas na sua forma maciça, é possível fazer lindos trabalhos na madeira como o torneado (formas arredondadas) e a aplicação de vernizes ou resinas é capaz de acentuar muito o tom da madeira, criando um acabamento muito bonito.

Em contrapartida, não são madeiras tão densas como as madeiras de demolição e por isso, para aumentar sua resistência, normalmente são submetidas a um tratamento químico que impermeabiliza a madeira e envena pragas que se alimentam dela. Esse tratamento confere uma resistência artificial a umidade e cupins, por exemplo, que naturalmente madeiras mais "moles" não possuem.

Tratadas e bem trabalhadas, o pinus e eucalipto são ótimas alternativas às madeira nobres e com um custo muito menor. Entre as duas, o eucalipto é mais denso e resistente que o pinus, o que é melhor para móveis que precisam sustentar mais peso como bancos, cadeiras e camas. Por ser menos denso, os móveis de pinus são mais leves e práticos. Escrivaninhas, mesas laterais e aparadores aproveitam bastante essa qualidade.

  

Madeiras Industriais (MDF e MDP)

Esses materiais são produzidos de forma industrial a partir de uma mistura de partículas de madeira, resina e cola. A qualidade desse material depende muito do processo de produção e as madeiras de origem (pinus, cedro, eucalipto ou teca).

MDF (Prancha de Fibra de Média Densidade)

No MDF, as partículas de madeira são do mesmo tamanho por toda a prancha, o que deixa o todo homogêneo e com uma ótima aderência como se formasse uma fibra. Por ser homogêneo, a resistência da placa é a mesma em todos os pontos e inclusive permite trabalhos de entalhe e linhas curvas. MDFs de alta qualidade são densos e resistentes, podendo até superar essas características de madeiras maciças.

Como é formado pela aglutinação de partículas, não possui o lindo desenho dos veios da madeira e quase sempre é encontrado com acabamentos como lâminas de PVC ou pintura. Sua composição é carregada de produtos químicos como colas e resinas, isso faz com que esse material não seja interessante para pragas como cupins. Por outro lado, a água pode penetrar pela composição quando entra em contato em regiões sem acabamento.

É comum a aplicação simultânea de MDF e alguma madeira maciça na mesma peça de mobiliário. Normalmente em móveis com acabamento pintado, a estrutura é feita em MDF enquanto em locais chave como o tampo ou os pés são feitos em pinus ou eucalipto para trazer as características da madeira - seja um pé torneado ou os veios naturais da madeira.

MDP (Prancha de Partículas de Média Densidade)

Ao contrário do MDF, o MDP possui uma variação de densidade em suas pranchas. A fim de reduzir os custos de produção, as pranchas de MDP são formadas como um sanduíche, sendo a parte interior menos densa - mais "mole". Por estarem menos ligadas umas às outras, as partículas do miolo podem se "esfarelar" com mais facilidade.

Os móveis em MDP tendem a ser bastante leves e sem adornos complexos, visto que a baixa densidade não permite fazer entalhes. Apesar de também não ser alvo de pragas, o MDP é muito suscetível a danos por umidade. Mesmo a umidade do ar em alguns casos pode causar danos ao móvel, especialmente nas regiões sem acabamento.

Imagem comparativa de corte transversal em MDF e MDP


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